Victorianas

As Victorianas constituem assim “também, uma singela homenagem às mulheres revolucionárias/libertárias que defenderam (no século XIX e princípio do século XX) a justiça, a liberdade e a igualdade de direitos sociais, políticos e culturais.”

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Ficha Técnica

Colecção

Ilustrações

Hugo Bernardo

Coordenação Gráfica

Ricardo Campos

Edição

Março 2015

Páginas

80

ISBN

Depósito Legal

390552/15

Sobre o Autor

Marília Miranda Lopes

Marília Miranda Lopes

Marília Miranda Lopes nasceu no Porto, a 22 de Maio de 1969. Formou-se em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade da cidade onde nasceu.

É professora prossionalizada de Língua Portuguesa do Ensino Secundário e formadora pelo Conselho Cientíco-Pedagógico de Formação Contínua nas áreas das Didácticas Especícas e das Ocinas de Escrita – Poesia e Teatro. Foi bolseira dos Serviços de Belas Artes da Fundação Calouste Gulbenkian, ao abrigo do programa “Dramaturgia Portuguesa”. É autora de canções para a infância que integram vários projectos de animação do livro e da leitura, apresentados em auditórios, bibliotecas e escolas.

Escreveu “Framboesas” (Teatro, 1996), “Geometria ” (poesia, 1998), “O Escudo Invisível” (conto da antologia “Histórias Tiradas da Gaveta – edições Tellus); “Maria da Silva, pastora e rainha” ( peça ainda inédita, representada pela Filandorra-Teatro do Nordeste; 2002); “O Reino Verde de Buttery” (Conto inédito dramatizado pela Filandorra, em 1996) “Templo” (poesia, colecção Tellus, nº10; 2003); “Duendouro– Era uma vez um rio…” (Teatro, 2007 - Edições Afrontamento – livro incluído no Plano Nacional de Leitura), “Aqua” (conto, 2012 - incluído na antologia Pegadas com autores portugueses e espanhóis – de A Porta Verde do Sétimo Andar) e “Castas” (Poesia, 2012 – Cadernos Q de Vien de A Porta Verde do Sétimo Andar – Galiza, Espanha). Tem participado, com poesia, acção e crítica literária, e algumas revistas e antologias (Portugal, Espanha, África e Brasil).

Sara F. Costa apresentou assim o livro “Victorianas” de Marília Miranda Lopes:
«Em “Vitorianas” Marília Miranda Lopes, transporta o leitor até ao século XIX, imergindo com subtileza num dos aspetos mais intrigantes da sociedade da época: a condição feminina. Uso o termo “condição” não no intuito tendencioso de exprimir uma contenda ou imposição. Na realidade, o espaço do feminino é em qualquer época um espaço plenificado e complexo que não se pode reduzir a uma questão exclusiva do género sem que nela estejam presentes análises sociológicas, culturais e espácio-temporais. O olhar da autora é contudo empático com a reinterpretação dos papéis de género: os seus deveres e obrigações, contributos e expectativas.
O Período histórico inglês (relativo ao governo da Rainha Vitória), denominado Período ou Época Vitoriana (1837 até 1901), foi de grande efervescência política e intelectual mas também um período de grandes contrastes.
Se por um lado William Cobbett reivindicava pela primeira vez a democratização parlamentar e em 1853 a escravidão tenha sido abolida em todas as colónias britânicas, a realidade é que o seu desenvolvimento político-económico continuava débil, as colonizações expandiam-se (reflexo de uma tentativa de superioridade moral perante as outras potências da época o que não invalida os interesses imperialistas britânicos) e o país passava por uma exaltação tecnológica. Sociologicamente sofria-se de um medo claro da modernização e das mudanças radicais que ela podia acarretar.
Numa sociedade com medo de novas tendências, os escritores eram vistos como uma espécie de profetas e guias. Foi cultivada uma atenuada dramatização dos textos literários. Esta dramatização foi cultivada com mestria por Charles Dickens.
Porque se por um lado o progressismo começava a revelar-se em determinados setores mais politizados, por outro a sociedade conservadora e tradicional oferecia resistência até porque uma onda de puritanismo estava em vigor na altura, uma onda que foi repescar conceitos ao The Puritan Movement do período Isabelino, um período altamente idealizado durante a época Victoriana.
Algo que é muito presente nas Victorianas da Marília Miranda Lopes é a preocupação com questões de conotação sexual de castidade e fidelidade conjugal, que se tornaram temas de pura obsessão da sociedade da época.
Esta obra é percorrida por episódios como composições alegóricas de um passado repleto de estimulações visuais sempre muito presentes nos brocados, nas rendas, nos corpetes, nos copos de vidro. Contudo, estes episódios não pretendem naturalmente fechar-se no seu tempo mas antes assinalar o presente, recorrendo à técnica brechtiana, típica da dramaturgia – que também sabemos ser género do campo de domínio da autora – uma denúncia social que sabemos presente logo na introdução, “entre aquelas (Victorianas) que sofriam miseráveis condições e outras que não dispensavam perfumistas”, As Victorianas constituem assim “também, uma singela homenagem às mulheres revolucionárias/libertárias que defenderam (no século XIX e princípio do século XX) a justiça, a liberdade e a igualdade de direitos sociais, políticos e culturais.” (pág.2).
Relativamente à análise externa, a obra divide-se em duas partes:
A primeira, o univero das Victorianas.
A segunda, uma reflexão sobre o presente e de como certos traços asfixiantes ainda perduram. “No fundo, é uma metanóia mais explícita” segundo as palavras da própria autora.
Ao longo desta obra vamos conhecendo as várias Victorianas: as que escrevem à máquina, as que arranjam os cabelos, aquelas de vida mesquinha (“Nas vossas amesquinhadas vidas, senhoritas”), os brocados, os cristais e as renda. A sexualidade: a que se utiliza, a que se disfarça e a que se finge disfarçar.
As questões da líbido sempre muito presentes ao longo da obra, quer seja no contorno do desejo puro, ou na ironia conceptual do puritanismo ou no humor da líbido doméstica (exemplos: “A psicanálise acentua a vossa libido doméstica”, “Vós, ó puritanas do recato, sob camadas de corpetes”).
Em ?Sereis assim, genttlwomans, tão assexuadas, o timbre amplamente sarcástico do ritmo perfuma-se com a sagacidade da mensagem, mais uma vez aqui presente a componente altamente dramatúrgica do estilo desta obra. Denunciam-se os vários cenários emoldurados pela estrutura patriarcal, tanto na vida privada como na vida pública.
Na segunda parte do livro representando certos traços asfixiantes ainda perduram, temos no texto “Em A vossa bonança é o cansaço de Baudelaire” uma afirmação clara do esgotamento que os chamados autores malditos acusavam deste passado de puritanismo hipócrita.
Victorianas
“Por um determinado período de tempo, mergulhei num século de grandes transformações mundiais, num período que se tornou urbanizado, industrializado, com novas ideologias políticas (o socialismo, o liberalismo, o anarquismo). Esta viagem permitiu que auscultasse, por um lado, uma ânsia de iluminismo e de razão e, por outro, o seu contrário, logo após a crise moral da Revolução Francesa” Introdução
Temos assim um epílogo na página 40:
“Neste livro que é passeante
e que pode ser lido à socapa
debaixo de um viaduto
ou de uma azinheira
coexistem ramos, flores, frutos, sementes
da Árvore que cresceu em espaço livre
mas não liberto” (pág.40)»

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